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Crítica | Saltburn

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Protagonizado por Barry Keoghan e Jacob Elordi, thriller excêntrico de Emerald Fennell atiça debates sobre os limites da ousadia. Confira a crítica do filme Saltburn.

Vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original em 2021 por ‘Bela Vingança’ (2020), Emerald Fennell seguiu seus próprios passos ao dirigir seu segundo filme. Satírico e eletrizante, ‘Saltburn’ é um grande sucesso, indicado ao Globo de Ouro 2024.

Embora lançado em Novembro, sua real explosão ocorreu após a estreia no catálogo da Prime Video, em 22 de Dezembro de 2023, quem está cronicamente online se recorda do alvoroço inescapável causado pelo filme nas semanas subsequentes. Sendo assim, não surpreende dizer que até hoje uma palavra é dominante em suas buscas: polêmica. E o que todos querem saber é: ‘Saltburn’ realmente sustenta a controvérsia que propõe? Faremos aqui uma rápida leitura crítica.

Seja em manchetes, avaliações pessoais ou debates acalorados nas redes sociais, as escolhas ousadas de Fennell têm dado o que falar. Cenas inusitadas dividiram o público entre simpatizantes e opositores de narrativas absurdas que fogem do padrão dos filmes comerciais. Para aqueles já acostumados com obras nesse estilo, a transgressão proposta em ‘Saltburn’ foi interessante de assistir, seja o veredito final positivo ou negativo. Enquanto para os demais, seu atrevimento foi uma grande surpresa, não necessariamente no bom sentido.

Resumo do filme ‘Saltburn’

Conta-se a história de Oliver Quick (Barry Keoghan), um jovem universitário bolsista de Oxford do tipo sem grana, estilo, amigos ou status. À primeira vista, ele é um excluído da hierarquia social da instituição elitizada da qual faz parte, ou melhor, seu papel nessa hierarquia consiste exatamente em ser um estranho, ridicularizado e ignorado pelos demais. Contudo, as coisas mudam quando ele inicia (nada organicamente) uma amizade com o adorado Felix Catton (Jacob Elordi), um rapaz rico, bonito, popular e descolado, pertencente à aristocracia britânica.

Posteriormente trocas de confissões familiares, Felix convida Oliver para passar as férias de verão em sua mansão localizada na região de Saltburn, na Inglaterra. Lá conhecemos a família de Felix: sua mãe, a extravagante ex-modelo Elspeth Catton (Rosamund Pike), sua complicada irmã mais nova, Venetia (Alison Oliver), e seu pai, o aéreo Sir James Catton (Richard E. Grant). Além dos agregados “Pobre Querida” Pamela (Carey Mulligan), Farleigh (Archie Madekwe) e o mordomo Duncan (Paul Rhys).

Análise do aspecto cruel e sinistro das relações de classe

Fennell estabelece um jogo provocativo entre os personagens e seus interesses pessoais, desfrutando de uma verdadeira montanha-russa de recursos narrativos atrevidos e visuais exuberantes para representar a obsessão por aquilo que não se pode ter. Sabemos desde o início que Oliver não é tão inocente quanto aparenta ser, pelo contrário. Mesmo alegando amar Felix, ele se aproveita de sua estima para infiltrar seu mundo, intenção identificada logo de cara por Farleigh.

Enquanto é usado pelos membros da família como um passatempo descartável, o personagem nutre seu desejo obstinado em fazer parte daquela bolha da sociedade. O filme transita entre as diferentes fronteiras do moral e imoral, explorando o aspecto cruel e sinistro das relações de classe.

Alison Oliver em ‘Saltburn’ – Foto: IMDb

Polêmicas 

It’s Murder on the Dancefloor! Alguns momentos caóticos deram bastante o que falar, sejam eles fruto do roteiro ou improviso. Acalorou-se o debate sobre até onde a experimentação destemida pode ir sem repelir o público do desejo de assistir a produção. Opiniões eufóricas de defesa ou repulsa, em sua maioria todas válidas, tomaram as redes.

É interessante quando um filme proporciona esse tipo de reflexão para quem o assiste: o que difere cinema ousado de bobagem pretensiosa? A verdade é que é difícil de dizer. Uma bobagem pretensiosa bem construída e executada faz um bom cinema. Filmes assim são importantes exatamente por isso, pelo papel ativo que o público é obrigado a exercer na significação da história que lhes é apresentada. Os personagens têm personalidades problemáticas e atitudes perversas. Nesse sentido, torna-se praticamente impossível estabelecer um parâmetro de comparação moral entre eles e o exercício de ter de fazer uma leitura própria é muito positivo.

Crítica: ‘Saltburn’ sustenta a controvérsia que propõe?

Acima de tudo, assistir um filme e se decepcionar com base em expectativas próprias daquilo que se esperava ver é normal, todos têm gostos e preferências específicas de consumo. Todavia, é possível notar nas análises negativas drásticas, isso serve tanto para ‘Saltburn’ quanto para outros filmes da mesma pegada, certa apreensão relativa a narrativas que demandam papel ativo em sua significação, além da represália moral daquilo que deve ou não ser explorado pela sétima arte.

Crítica - 'Saltburn'
Barry Keoghan em ‘Saltburn’ – Foto: IMDb

Quais os limites de representação? Qual a fronteira entre aceitável e inaceitável? Um problema recorrente nesse tipo de filme é a questão da arrogância. Desse modo, não acredito que em ‘Saltburn’ venha somente do filme em si como também das projeções pessoais sobre qual era o objetivo de Fennell.

De fato a história termina com uma resolução simples e algumas pontas soltas, o que para alguns significou presunção por parte da diretora para com seu público, em uma tentativa de fazer o filme parecer ser mais esperto do que de fato é. A abordagem da mídia sobre as polêmicas do filme (ótima estratégia de marketing, inclusive) definitivamente impulsionou a arena de debate que se formou, além de contribuir com a escandalização de cenas que foram feitas para escandalizar mesmo.

Outro ponto relevante é a abordagem crítica de Fennell. Por vezes, a falta de assertividade em determinados momentos foi para muitos um indício de superficialidade narrativa. Em suma, para quem gosta da aventura é um filme divertidíssimo. Com um elenco maravilhoso e performances excepcionais, roteiro atrevido e fotografia exuberante, ‘Saltburn’ entrega entretenimento de ótima qualidade.

Equipe: Bombou-Brasil

Fonte: Geek Pop News

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